domingo, 6 de maio de 2007

Um pouco de Filosofia...


"Rir é arriscar-se a parecer louco.
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Estender a mão é arriscar-se a se envolver.
Expor seus sentimentos é arriscar-se a expor o seu eu verdadeiro.
Expor suas idéias e sonhos em público é arriscar-se a perder.
Viver é arriscar-se a morrer.
Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.
Tentar é arriscar-se a falhar.
Mas... é preciso correr riscos.
Porque o maior azar da vida é não arriscar nada...
Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza.
Mas assim não podem aprender, sentir, crescer, mudar, amar, viver...
Acorrentadas às suas atitudes, são escravas, abrem mão da sua liberdade.
Só a pessoa que arrisca é livre...
Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.
Não se arriscar é perder a vida..."

Soren Kierkegaard

sábado, 5 de maio de 2007

Em Bom Trapalhês

Conclusão a reter:
SOTP= Sem Ordens Tempo Perdido
Sim! Porque quem fiscaliza isto? =P

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Dica Semanal

Patrick Watson - The Great Escape

Gosto. E aconselho.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Olha-me com os teus olhos...

Aqui te amo
Nos sombrios pinheiros desenreda-se o vento
a lua fosforesce sobre as águas errantes
andam dias iguais a perseguir-me.

Desperta-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata desprende-se do acaso.
Às vezes uma vela. Altas, altas estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Sozinho.
Às vezes amanheço e até a alma está húmida.
Soa, ressoa o mar ao longe.
Este é um porto.
Aqui te amo.

Aqui te amo e em vão te oculta o horizonte
Eu continuo a amar-te entre estas frias coisas
Às vezes vão meus beijos nesses navios graves
que correm pelo mar onde nunca chegam.

Já me vejo esquecido como estas velhas âncoras.
São mais tristes os cais quando fundeia a tarde.
A minha vida cansa-se inutilmente faminta.
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

O meu tédio forceja com os lentos crepúsculos.
Mas a noite aparece e começa a cantar-me
A lua faz girar a sua rodagem de sonho.

Olha-me com os teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento
querem cantar o teu nome com as folhas de arame.


Pablo Neruda

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Momento BAH

Com a qualidade de ensino de hoje, convém desconfiar...

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Beleza Textual

Desliza pelo meu corpo uma gota de chuva,
A textura assemelha-se à tua lágrima
o deslizar dela pelo teu rosto,
o sentimento de infelicidade que te
faz tão bela.

Agora já não choras... sentes.
Sentes a música que flúi pela nossa atmosfera.
Não sabes que te vejo...
Toco-te com um olhar fulminante de prazer.
O desejo de te querer comigo é mais intenso
do que o desejo de viver amanhã...

A cor que envolve-nos neste abraço gigante...
Indescritível...
Faz com que me caia uma lágrima...
O sentimento de gravar este momento na minha memória
extrapola o controlo de emoções...

Vejo um rasgar de sorriso...
Uma beleza que me emociona...

Levanta a cabeça, anjo lacrimoso...
Olha para o horizonte que te sorri,
Logo atrás daquela montanha.

domingo, 29 de abril de 2007

Porque consigo sentir-te.














Sentado na rocha ao pé do mar,
Só agora me apercebo da realidade da vida,
Bem diferente das nossas ideias,
O lado negro das crateras da lua.

Se me importo com tudo isto?
Talvez me importe mais por não ter compreendido mais cedo..
Mas todo o ser vive no seu mundo...
Idealizado. Obscuro.

Cresce a velocidade do vento.
Comparável à mudança repentina da
noite para o dia
na nossa vida.

Hoje de manhã tinhamos as mãos unidas e o sorriso brilhante.
Agora não te vejo...
as tuas mãos não sinto...
a tua cara não imagino.
É o eufemismo da vida.
Por vezes, tudo parece imutável,
raio do tempo que tudo muda.
Até as rochas que me apoiam desapareceram
com o embater das agressivas ondas...

O próprio calor que era a causa da minha vinda...
Já se foi...
O que há agora não é mais
do que uma brisa gelada,
me chateia e entristece.

Preparo-me para ir...
É já de pé que te vejo.
Sentada o suficientemente longe para que não te veja...
mas o suficientemente perto para que me sintas...

Apesar de tudo...
No fim lá estava ela.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Balada do encanto perdido...

«Eu sou um encanto perdido, mas no sonho não era.
Não sou louco, como os outros disseram. Não queria ser deste modo, frio e cobarde, egoísta e perdido, como a minha mãe dizia. Mas o sonho só existe num lugar inexistente. Talvez no deserto haja sonhos com olhos de continuar.
No entanto, descobri uma porção de existência não completamente submersa! Descobri através de ti! Haverá ainda esperanças neste insuportável vazio?
Talvez seja possível ainda... percebi isso ontem... quando me puseste a mão no rosto...
Jardim de Arca de Água...
(nota: a esperança desta balada nunca foi conseguida.) »

adão e eva no deserto... um olhar psicanalítico, Jaime Milheiro

(um excerto do livro que impulsionou o meu olhar sobre o que é de facto ler...)

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Momento BAH

(Desde sempre o blackout foi uma arma potente do Homem..)

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Porque hoje é 25 de Abril.



Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.
Ary dos Santos

terça-feira, 24 de abril de 2007

Em Bom Trapalhês

(Se não vês nada de mal, aconselho-te a que batas com a cabeça na esquina da mesa mais próxima. Obrigado.)

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Onde andam as badalhocas?

sábado, 21 de abril de 2007

Um momento diferente...

A floresta encantada das
Oportunidades perdidas,
Fantasiam os nossos sonhos…

Ser que não é.
Fui quem não devia ter sido.
Faz ribombar sinos extensos na nossa mente,
Provocando catástrofes naturais de ser
Humano deprimente e perdido.

São as angústias do presente
Que mantém vivo o passado.
Um passado em que te tinha.
Um passado onde era feliz por te ter.

Hoje, este presente é um puzzle incompleto…
Sinto a tua falta.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Um pouco de Filosofia...

" Não é a satisfação da vontade que é a causa do prazer, mas é o facto de que a vontade quer ir mais longe e tomar-se senhora do que se encontra sobre o seu caminho.

O sentimento de prazer reside precisamente na insatisfação da vontade, na incapacidade da vontade para satisfazer sem adversário e resistência."



Nietzsche, La Volonté de Puissance



"Meu amigo, eis a grande missão do poeta:

anotar e interpretar seus sonhos.

Acreditai que a ilusão mais verdadeira

é recirar os sonhos verdadeiros."



Nietzsche, Origem da Tragédia

quinta-feira, 19 de abril de 2007

És tu.


Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.



Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 17 de abril de 2007

Foste tu.


Foste tu e não outra.
Foste tu porque tinhas de ser tu.
Não sei se quiseste. Mas foste.
O tédio da vida transformou-se em ondas selvagens.
Porque foste tu.
A alegria reencontrou-me nas tuas passadas.
Porque foste tu.
Agora diz-me:
Foste ou ainda és?

Porque memórias do passado são para quem não tem alegrias no presente...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Momento BAH

É preciso dizer alguma coisa? Um RIDÍCULO acho que chega!

sábado, 14 de abril de 2007

Indescritível...

Porque relembra-me os tempos em criança em que passava as tardes colado ao rádio simplesmente a sentir as coisas, porque relembra-me tempos em que era feliz e não o sabia...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Momento BAH

Ao Ataque Camaradas!!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Não Sei se é Amor que Tens


Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu jovem por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva
É verdadeira. Aceito,
Cerro olhos: é bastante.
Que mais quero?


Ricardo Reis

terça-feira, 10 de abril de 2007

Palavras que me tocam...


Eu a convencer-te que gostas de mim,
Tu a convenceres-te que não é bem assim.
Eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.

Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar para esconder a saudade,
E eu a esconder-me do que não se dizia.

Afinal...
Quebrámos os dois afinal.
Quebrámos os dois...

Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.

Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na côr que trazias.

(...)
Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.

Não nos tocámos enquanto saías,
Não nos tocámos enquanto saímos,
Não nos tocámos e vamos fugindo,
Porque quebrámos como crianças.

(...)
É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora.

Toranja, Quebramos os dois

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Ser

Sentados no baloiço da vida somos capazes de observar cada passo de cada pessoa que nos rodeia... Existe, essencialmente, três tipos de pessoas: aquelas que pura e simplesmente são capazes de abrir a janela e gritar ao mundo "Amo-te"; aquelas que não o conseguem fazer, não porque não o sintam, apenas porque exprimem-se melhor de outra forma; e aquelas que são capazes de abrir a janela e gritar ao mundo "Amo-te", mas esse "amo-te" é dirigido a três biliões de pessoas, ou a várias pessoas em diversas épocas. Em três palavras: Impulsivas, Reservadas, Inconstantes...

Sim! É óbvio que não se pode dividir as pessoas por estas categorias de formas tão deliniares, mas inconscientemente é isso que fazemos, com outros conceitos, outros olhares...
Não está em causa saber que tipo de pessoa somos, porque as pessoas não mudam, apenas se adaptam, não interessa saber se sou alguém bom ou mau, seja o que for não irei mudar. A dificuldade extrema será descobrir o que realmente somos, tentar compreender quem é este ser que move-se em função das nossas ordens revela-se algo de uma possibilidade impossivel; porque talvez nunca teremos todos os elementos para nos qualificar, talvez porque nunca serás a pessoa certa para dizer o que és, mas quando não o podes realmente fazer, ninguém o pode. Não é a pessoa que te olha que pode qualificar o conteúdo...

Porque o espírito de crítica não é para todos, só para alguns...

domingo, 8 de abril de 2007

Momento BAH (Páscoa)

Cuidado com os seus ovos, nem todos os coelhos são tão fofinhos....

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Ser para viver..

O instante extenso da vida,
origina fugacidade de sentimento,
ora vividos, ora alimentados.

O som da guitarra que ao longe toca,
mais leve,
que aquele que assombra para todo
o sempre a nossa cabeça.
Este é mais quente e bom.
Outro pesa e doi.

Onde está a verdade escondida da vida?

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Não, não te amo...

Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma.
E eu n'alma --- tenho a calma,
A calma --- do jazigo.
Ai! não te amo, não.


Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida --- nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!


Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.


E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

Almeida Garrett

terça-feira, 3 de abril de 2007

Momento BAH

O aquecimento global vai extinguir a prática de desportos brilhantes...

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Pensamento do Dia

"Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela unica grande razão -
Porque não tinha que ser. "

Álvaro Campos

sexta-feira, 30 de março de 2007

The Fountain

Vi e só passado algum tempo, após deixar a poeira acalmar, é que tomei consciencia que este terá sido um dos filmes mais fantásticos que já vi, dos mais completos. A confusão e o embaraço que nos causa os primeiros 15 minutos de filme, não nos tira a beleza que ele ganha a partir do momento em que descobrimos que afinal tudo faz sentido, mas tudo... nenhuma cena é feita sem ter um simbolismo. Talvez essa seja uma das palavras chave... este filme está cheio de simbolismos... desde o toque do ser na natureza, até à saliva que flutua de uma boca em confronto com a outra....

Mais do que qualquer outro, este filme tem imagens incríveis... imagens que nos pregam ao lugar e só pedimos que não acabe agora...com todas as nossas forças! A sensualidade das cores é algo que origina um orgasmo intelectual de beleza... uma simbiose do paraíso com a eternidade! O desenvolvimento das várias imagens acompanhado de uma história feita de toques, suspiros, olhares, e de poucas palavras, culmina em algo difícil de digerir... Ao longo do filme temos de vê-lo como se estivessemos a desatar uma corda que tem nós muito dificeis de tirar... um processo complicado que origina desistências...não é fácil de entender...


Após 90 minutos intensos, onde pensas que passaram imensas horas, o filme acaba e ficas a olhar para a tela... estupefacto... no mínimo por ter visto algo diferente, algo de extraordinário... algo que me vai marcar, é um filme sem comparação com qualquer outro único.


Por fim, tiras os olhos da tela, olhas e pensas. 'Como pode estar esta sala quase vazia? Como é possivel não gostar de um filme destes?'... Olhas para quem lá está... a reacção pode ser diversa, mas não te apercebes, porque só queres pensar nos elementos que te escaparam ao longo do filme... pois, a sua apreciação vai muito para além da sua duração...






'Sem dúvida... não é um filme para todos.'*



terça-feira, 27 de março de 2007

Dia Mundial do Teatro

À um ano, neste dia, estava deveras ocupado com algo mágico...

segunda-feira, 26 de março de 2007

Momento BAH



É o amor! Mas de duas perspectivas diferentes... complementares...ou não!

sábado, 24 de março de 2007

Love, it taught me to lie...

"you step a little closer each day

so close that...

I can´t see what´s going on..."

sexta-feira, 23 de março de 2007

Momento BAH

Ainda falam em falta de solidariedade e companheirismo...

quinta-feira, 22 de março de 2007

Don't Stop



"Don't stop moving, you must keep on going
Don't you stop believing, you should go on dreaming
Don't stop moving, you must keep on going
Don't you stop believing,'
Cause it's people like you make the world go..."

quarta-feira, 21 de março de 2007

Dia Mundial da Poesia

De forma a celebrar este dia, aqui fica o meu poema favorito de sempre:


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.


Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.


Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.


Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.


E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.


Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.


Adeus.

Eugénio de Andrade

terça-feira, 20 de março de 2007

Soneto


Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?

Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.


Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.

Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.

Ary dos Santos

sábado, 17 de março de 2007

I wish...

Marc Broussard - "Gavin's Song"

sexta-feira, 16 de março de 2007

Doce


Beleza imortal de céu radiante,
Sigo o meu caminho a viver-te.
Tenho tanto medo de perder-te.
Logo ali, adiante.

Bebo as palavras que sussurras,
Saboreio uma, duas, três…
Prometo provar mais da próxima vez,
Porque me disperso, porque me deslumbras.

Suspiro a suspiro…
Imortalizas o meu sentimento
És tu quem admiro!

Olhar a olhar…
Imortalizo o meu sentimento
Só tu me poderás amar!

quinta-feira, 15 de março de 2007

Antes...muito antes!

"Quando te vi amei-te já muito antes:
Tornei a achar-te quando te encontrei.
Nasci pra ti antes de haver o mundo.
Não há cousa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida fora,
Que o não fosse porque te previa,
Porque dormias nela tu futuro."

Fernando Pessoa

quarta-feira, 14 de março de 2007

Momento BAH


terça-feira, 13 de março de 2007

Fantástico

Brilhante não concordam?*

segunda-feira, 12 de março de 2007

Bela Adormecida




Bela Adormecida que dormes
Encostada ao meu peito…
Peço-te que transformes
O meu mundo mais que perfeito.

Dá-me a causa do teu olhar,
Empolga-me com a beleza do teu sorrir…
Só a ti irei adorar,
Só contigo sei sentir.

O Mundo não precisa de árvores, sol ou lua
Para nós já nos sacia,
Uma alegria como a tua.

Fantasio que te tenho todos os dias,
Amo-te mais do que a vida,
Bela adormecida, se eu sorrisse, acordarias? *

domingo, 11 de março de 2007

Um verdadeiro sussurro...


Suspiro agressivo.....preenche o espaço entre tu e eu. Agressividade da paixão que nos envolve e se desenrola numa busca incessante pelo corpo do outro.

Tocar....não chega. O descontrolo intrínseco ao momento incentiva o empolgar de um beijo.
Um, dois, três, quatro.... as bocas húmidas e quentes pedem mais, muito mais.

Somos invadidos pelo sentimento asmático que nos faz delirar... O suspiro deste calor intransigente que provoca o cair de gotas de suor provenientes de nós próprios.... Sinto tudo isso enquanto tacteio o teu cabelo, o teu rosto...

Por momentos as bocas páram, os olhos abrem-se, a realidade regressa, o ser pensa.....
"por momentos, pensei que o Mundo era Perfeito..."

sexta-feira, 9 de março de 2007

Acaso


No acaso da rua o acaso da rapariga loira.
Mas não, não é aquela.

A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.

Perco-me subitamente da visão imediata,
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua,
E a outra rapariga passa.

Que grande vantagem o recordar intransigentemente!
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga,
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.

Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!

Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos...
Mas isto era a respeito de uma rapariga,
De uma rapariga loira,
Mas qual delas?
Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade,
Numa outra espécie de rua;
E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade
Numa outra espécie de rua;
Por que todas as recordações são a mesma recordação,
Tudo que foi é a mesma morte,
Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã?

Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional.
Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas?
Pode ser... A rapariga loira?
É a mesma afinal...
Tudo é o mesmo afinal ...

Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal.

Álvaro Campos

(Lindamente construído!)

quinta-feira, 8 de março de 2007

Fascinado!

Last Request, Paolo Nutini


These Streets, Paolo Nutini

Qual delas a melhor? Não consigo responder...

quarta-feira, 7 de março de 2007

Teus olhos entristecem.



Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.

Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.

Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.

Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.

Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.
Fernando Pessoa
(Duas Palavras: SU-Blime!..=P)

terça-feira, 6 de março de 2007

Voa Borboleta, voa!


Passa uma borboleta por diante de mim

E pela primeira vez no Universo eu reparo

Que as borboletas não têm cor nem movimento,

Assim como as flores não têm perfume nem cor.

A cor é que tem cor nas asas da borboleta,

No movimento da borboleta o movimento é que se move,

O perfume é que tem perfume no perfume da flor.

A borboleta é apenas borboleta

E a flor é apenas flor.

Alberto Caeiro

(Porque a Borboleta é um bichinho brilhante...)

segunda-feira, 5 de março de 2007

Walking Around

Passeio a noite pela rua deserta da vida...
Oiço um grilo que vive...
Vejo um pássaro que corre...
Sinto o cheiro da chuva que caíu...
Tudo o resto...não interessa.
Não interessa o que me fez andar a estas horas...
Não interessa o sabor dos teu lábios...
Não interessa a forma como se vive...
Só tem importância este momento...
O momento causado de oportunidades perdidas...
de arrependimentos constantes...
de tempo perdido...
Vou andar pela noite e
revitalizar a minha alma...
Ainda vou a tempo.
Adeus. Vou andar por aí...

(Sem dúvida... Um dos poemas que mais prazer me deu escrever... Outros tempos..)

sábado, 3 de março de 2007

Idiota!

"Sente-se. Está sentado? Encoste-se tranquilamente na cadeira. Deve sentir-se bem instalado e descontraído. Pode fumar. É importante que me escute com muita atenção. Ouve-me bem? Tenho algo a dizer-lhe que vai interessá-lo. Você é um idiota. Está realmente a escutar-me? Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção? Então Repito: você é um idiota. Um idiota. I como Isabel; D como Dinis; outro I como Irene; O como Orlando; T como Teodoro; A como Ana. Idiota. Por favor não me interrompa. Não deve interromper-me. Você é um idiota. Não diga nada. Não venha com evasivas. Você é um idiota. Ponto final. Aliás não sou o único a dizê-lo. A senhora sua mãe já o diz há muito tempo. Você é um idiota. Pergunte pois aos seus parentes. Se você não é um idiota...claro, a você não lho dirão, porque você se tornaria vingativo como todos os idiotas. Mas os que o rodeiam já há muitos dias e anos sabem que você é um idiota. É típico que você o negue. Isso mesmo: é típico que o Idiota negue que o é. Oh, como se torna difícil convencer um idiota de que é um Idiota. É francamente fatigante. Como vê, preciso de dizer mais uma vez que você é um Idiota e no entanto não é desinteressante para você saber o que você é e no entanto é uma desvantagem para você não saber o que toda a gente sabe. Ah sim, acha você que tem exactamente as mesmas ideias do seu parceiro. Mas também ele é um idiota. Faça favor, não se console a dizer que há outros Idiotas: Você é um Idiota. De resto isso não é grave. É assim que você consegue chegar aos 80 anos. Em matéria de negócios é mesmo uma vantagem. E então na política! Não há dinheiro que o pague. Na qualidade de Idiota você não precisa de se preocupar com mais nada .E você é Idiota (Formidável, não acha?)"

Bertolt Brecht

sexta-feira, 2 de março de 2007

Um lugar...

Sempre houvi falar acerca do lugar.
Não é facil saber-se qual é o nosso lugar no mundo.
Um lugar tem de ser conquistado.
Um lugar não é dado, mas preenchido.
Ter direito a um lugar, por mais pequeno que seja é gratificante.
É reconfortante.
É delicioso.
É como sentir que afinal a lua tem um dos olhos virados para nós, é como sentir que somos verdadeiramente alguém.
Por vezes, há lugares ocupados, há sentimentos de inutilidade...
Todo o ser tem direito ao seu lugar:
Um lugar na mesa...
Um lugar na família...
Um lugar na terra...
Um lugar ao luar...
Um lugar no coração..

quinta-feira, 1 de março de 2007

Pedaços Soltos

"Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento.."


Álvaro Campos

"Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?"
Ary dos Santos

"Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos..."

Eugénio de Andrade
"Cada dia sem gozo não foi teu
Foi só durares nele.
Quanto vivas Sem que o gozes, não vives."
Ricardo Reis
(Porque há pensamentos que parece que foram construídos pela nossa mente para certos momentos...)

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Na mesa do Santo Ofício...


Tu lhes dirás meu amor, que nós não existimos.
Que nascemos da noite, das árvores, das nuvens.
Que viemos, amámos, pecámos e partimos
Como a água das chuvas.

Tu lhes dirás, meu amor, que ambos nos sorrimos
Do que dizem e pensam
E que a nossa aventura,
É no vento que passa que a ouvimos,
É no nosso silêncio que perdura.

Tu lhes dirás, meu amor, que nós não falaremos
E que enterrámos vivo o fogo que nos queima.
Tu lhes dirás, meu amor, se for preciso,
Que nos espreguiçaremos na fogueira.

Ary dos Santos

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Costume.

Todos os dias fazemos inúmeras coisas como todos os dias. Involuntariamente, muitas das vezes, é certo, mas fazemos. De que coisas falo eu? É simples. Reparem nos vossos movimentos, no vosso pensar e executar, no agir... irão certamente encontrar inúmeras coisas que fazem sempre da mesma maneira... como por exemplo, o vestir, sempre as calças primeiro e depois a camisa, ou ao contrario; o lavar os dentes, primeiro movimento é sempre para a direita ou para esquerda ou para os dentes da frente; o pentear, sempre em funçao de um gosto, um hábito, um costume; o calçar, primeiro o pé direito, só depois o esquerdo, ou ao contrário; a forma como o comer se encontra dividido no prato, ao centro virado para nós a carne, só depois por trás e ao lado as batatas, o arroz, a salada, o que for; a forma de nos olharmos ao espelho, mais perto se encontramos defeitos, mais longe se simplesmente queremos ver se temos ou não estilo; a maneira como nos sentamos tendo em conta a posição das outras pessoas; a maneira como nos deitamos, primeiro de barriga para baixo, de lado ou para cima, depende sempre dos gostos; a maneira como coçamos o olho, como tomamos banho, como lavamos a cabeça, as mãos... movimentos simples, rápidos, práticos e,sobretudo, iguais, sempre iguais!

Se pensarem sobre os vários exemplos, decerto encontram formas de viver estandardizadas, porque? Simplemente porque é costume. Fomos assim habituados, foi assim que descobrimos como saciar as nossas necessidades. Sim. Este costume não será mais do que uma prática reiterada (leia-se repetida,contínua) involuntária, muita das vezes, com convicção apenas e só de necessidade... "as coisas são assim porque têm de ser assim, e não de outro modo!"... Toda a nossa vida é composta por movimentos e acções que fazemos sempre do mesmo modo...ontem, hoje e amanhã... Sim porque apesar de ter consciência amanhã voltarei a calçar primeiro o pé direito, escovar os dentes rapido e para o lado direito, irei beijar as pessoas da maneira que para mim têm importância... e nem preciso de pensar sobre isso... é um costume mecanizado...

Enfim... basta ter paciência para pensar...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

"Linhas Opostamente completas"

Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...”
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.

Pablo Neruda

(Que grande divagação isto me deu...
Porque como disse um doutor meu: "Sem um outro tu, o eu torna-se desconhecido!")

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Manifestação de Lágrimas

Lá fora cai a chuva, sem perdoar.
Forte, irritante, viva.
Cá dentro caem lágrimas,
Macias, tristes, secas.

É um paralelismo comparável sem comparação.
É uma água vinda de fontes diferentes.
É uma explicação de razões inexplicáveis.
O movimento dos carros a limpar a chuva das estradas,
É o mesmo que a minha mão faz,
Limpando as minhas lágrimas.

Mas porque choro eu?
Talvez pelas mesmas razões que choras tu.
Afinal porque choras tu?
Eu sei muito bem, não digas!

Todo este choro é a consequência do passado.
Nesse mesmo não o quisemos, hoje somos obrigados.
A culpa está nas lembranças do passado,
A culpa está no não chorar quando devemos.
Com tudo isso apenas sofremos.

Porque o pior choro é aquele que não se manifesta…

(E pronto(s) mais um...)

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Sugestão

«Quando estou a escrever-te, sinto o teu hálito, e imagino que sentes o meu quando lês o que escrevo. Também se passa o mesmo contigo? Estas cartas são agora parte de nós, parte da nossa história, uma recordação
eterna do que fizemos com a nossa vida. Agradeço-te por me teres ajudado a sobreviver este ano mas, ainda mais importante, agradeço-te, antecipadamente, por todos os anos futuros. »


O Sorriso das Estrelas, de Nicholas Sparks


(Livro brilhante, fantástico, puro... na linha de sparks. Poderia dizer que é uma simbiose d'Alquimia do Amor e das Palavras que Nunca Te Direi... sim posso afirmar isso...)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Like a star

Like A Star - Corinne Bailey Raeer

Quem quiser (e desde já aconselho!!) pode acompanhar a letra, carrega aqui

(Porque simplesmente adoro esta música... onde a melodia não é mais do que um excelente acessório a uma letra fantástica...)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

O Amor quando se revela...

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

(Por causa de poemas como este que não me canso de Pessoa...)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Para ser grande sê inteiro

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.


Ricardo Reis

(Sente-se, compreende-se, respira-se...não se comenta.)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Gato

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais

Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,

Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa

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Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner

(Porque hoje é carnaval e eu transpiro dois poemas e tu não!)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Porque há cartas com qualidade...

"25 de Setembro de 1995
Querida Catherine,

Passou-se um mês desde que te escrevi, mas pareceu decorrer muito mais devagar. A vida passa por mim agora como a paisagem do lado de fora da janela de um carro. Respiro e como e durmo como sempre, mas parece não haver qualquer grande objectivo na minha vida que necessite uma participação activa da minha parte. Continuo simplesmente ao sabor da corrente como as mensagens que te escrevo. Não sei para onde vou ou quando lá chegarei.
Nem mesmo o trabalho alivia a dor. Posso estar a mergulhar sozinho ou a ensinar aos outros como fazê-lo, mas quando volto para a loja, parece vazia sem ti. Faço fornecimentos e encomendas como sempre fiz, mas mesmo agora, por vezes olho por cima do ombro sem pensar e chamo por ti. Enquanto te escrevo este bilhete, pergunto a mim mesmo quando, ou se alguma vez, coisas como essas irão alguma vez terminar.
Sem ti nos meus braços, sinto um vazio na alma. Dou por mim à procura do teu rosto no meio das multidões - sei que é impossível, mas não consigo conter-me. A minha procura por ti é uma busca interminável destinada ao fracasso. Tu e eu tínhamos falado sobre o que aconteceria se fossemos separados por força das circunstâncias, mas não consigo manter a promessa que te fiz naquela noite. Desculpa, meu amor, mas não existirá nunca ninguém para te substituir. As palavras que te murmurei eram absurdas, e eu devia ter percebido isso então. Tu - e só tu - tens sido sempre a única coisa que eu desejei, e agora que já cá não estás, não tenho qualquer desejo de encontrar outra. Até que a morte nos separe, sussurrámos na igreja, e eu tenho vindo a acreditar que as palavras permanecerão verdadeiras até finalmente chegar o dia em que eu, também, serei levado deste mundo.

Garrett"

As Palavras que Nunca Te Direi, de Nicholas Sparks

(Porque há livros que as pessoas deviam obrigatoriamente ler, para compreender um pouco o que é o amor...)

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Construção Permanente

"Um velho carpinteiro que construía casas estava à beira da reforma. Informou o patrão que já se sentia cansado e que queria dedicar o resto da sua vida à família, daí a sua pretensão em retirar-se da vida activa. O patrão gostava muito do carpinteiro e, apesar de ficar triste pela partida de um bom funcionário, concordou, mas pediu-lhe que realizasse uma última tarefa. O carpinteiro não gostou muito da ideia mas acabou por aceitar.
Não tendo ficado muito satisfeito, começou a tarefa de construir a última casa da sua carreira. Realizou este último encargo de má vontade, usando materiais de qualidade inferior e com acabamentos bastante imperfeitos. Quando deu por terminado o trabalho foi ter com o seu patrão. Este, emocionado, tirou uma chave do bolso e disse:
- Esta é a sua casa, é o meu presente para si , por todos estes anos de trabalho!
O carpinteiro ficou muito surpreendido. Se soubesse que a casa era para si teria feito um trabalho muito melhor e de maior qualidade, teria feito a melhor casa da sua vida.

Acontece o mesmo connosco. Construímos a nossa vida, um dia de cada vez e muitas vezes fazendo muito menos do que o que está ao nosso alcance. Depois, ficamos surpreendidos porque temos que viver na casa que fomos construindo, a nossa vida. Se fosse possível voltar atrás e mudar as coisas teríamos feito tudo diferente, mas não é possível. Nós somos como o carpinteiro que martela e prega tábuas com que levanta paredes. Como alguém disse, “a vida é um projecto que nós próprios construímos”. As atitudes de hoje são a construção da casa onde vamos morar amanhã. Devemos construí-la com sabedoria…"


(Porque nunca irei esquecer quando nos deram este texto, em filosofia, apenas para comentar... não vale a pena dizer mais nada, até a menos inteligente das pessoas... o sente!)

sábado, 17 de fevereiro de 2007

True Love?

"What is love really if it only affects, one aspect of life?
That’s like a musician who only accepts, his own musical type.
That’s like a preacher who only respects sunday morning, and not
saturday night.
That’s how a soldier can come to reflect,
that Love is more than a man and a wife."

Soldiers of Jah Army, "True Love"
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Frase do Dia:
"As recordações mais difíceis são as que se referem ao que poderia ter acontecido."

Um lugar no Coração, de Déborah Smith

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Momento..

"Não sei. Falta-me um sentido, um tacto
Para a vida, para o amor, para a glória...
Para que serve qualquer história,
Ou qualquer facto?

Estou só, só como ninguém ainda esteve,
Oco dentro de mim, sem depois nem antes.
Parece que passam sem ver-me os instantes
Mas passam sem que o seu passo seja leve.

Começo o ler, mas cansa-me o que ainda não li.
Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir.
O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir
É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi.

Não ser nada, ser uma figura de romance,
Sem vida, sem morte material, uma ideia,
Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia,
Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe."


Álvaro Campos

(Porque às vezes pergunto (me) se realmente existo só para ocupar espaço.. enfim momentos diferentes e, quem sabe, passageiros...)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Beijo

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.

Jorge de Sena

(Talvez a melhor descrição do que é um beijo, penso. Nunca encontrei melhor...)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca

(Porque hoje é um dia para amar... amem aqueles que podem amar, por eles e por quem nunca amou...)

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Um desabafo...

"If roses are meant to be red
And violets to be blue
Why isn't my heart meant for you..

My hands longing to touch you
But I can barely breathe
Starry eyes that make me melt
Right in front of me...

This music's irresistible
Your voice makes my skin crawl
Innocent and pure
I guess you heard it all before...

You're still a picture in a frame..."

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Estar farto de...

Farto. Quantas vezes não nos sentimos fartos de algo? Fartos da maneira como o sol brilha, da forma como o castelo é construído, ou simplesmente, fartos de respirar sempre da mesma maneira? Há dias assim. Dias em que cada palavra que ouvimos nos soa mal, em que cada felicidade é tristeza, em que cada tocar alegre nos fere. De certeza que já sentiram isso. É como ser infeliz a cada suspiro, a cada sussurro. Muitas vezes estar farto não é mais do que estar frustado, carente, ou até mesmo, só!

Farto
. Quantas vezes não no sentimos feridos? Sim, de certa forma traídos, enganados... Nem que seja por o sol não ter gritado o nosso nome ao acordar, ou a Lua se ter escondido de nós. Estar farto de ser enganado... é duro. A mentira e a omissão quando práticas contínuas nos fazem ficar fartos!

Farto
. Quantas vezes não te perguntaste: "valerá tudo isto a pena?"

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Porque acordei a pensar neste poema...

Com o luar no horizonte
A vida é diferente…
Sinto o cheiro dos teus cabelos…
Sinto-te tão perto de mim…

A lua ilumina o teu rosto…
A luz dá luz a outra luz…
Sabia que eras bonita… fenomenal.
Natural, simples, calma…
É isto que adoro em ti… os teus olhos mostram isso…
Cavo um pouco mais de espaço…
Já sinto o teu respirar… o teu tocar…

Diz-me, a lua não está linda hoje?
“Tal como todos os dias.”-dizes tu…
“Eu sei que hoje está mais bonita, pois
Tem aqui o seu ideal de beleza!”-pensei dizer eu…
Mas a tua linda voz… calou-me.
O medo de estragar o momento com disparates…
Fez-me remeter ao silêncio…

Mas antes disso,
Dá-me o teu ouvido para eu sussurrar um…
“Estou apaixonado por ti.”


(Enfim, são momentos...)

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Já se sentiram relegados para segundo plano?

Toda a gente se sente, por vezes. Quais serão os motivos de uma queda sentimental? Não há apenas uma resposta viável.
Por um lado, podemos dizer que a culpa é dessa pessoa a quem outrora demos tudo e agora não recebemos nada. Por outro, podemos dizer que a culpa é nossa, porque se calhar nunca fomos a melhor companhia, porque involuntariamente também a relegamos para segundo plano, ou porque simplesmente somos importantes para uma coisa, talvez um suporte seja a palavra mais correcta, e para outras coisas não passamos de uma acessório irritante. Há ainda outra via, a de que simplesmente ao longo do tempo as relações tendem a desvalorizar-se...enfim não sei.

Difícil, difícil é se para nós uma pessoa o primeiro e único plano; e para ela, não passarmos de uma motivação para certas coisas apenas... sim amigos, isto sim, é egoísmo!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Porque há poemas geniais...

Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca

(Há coisas Fantásticas não há?)

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Bocage

O ledo passarinho, que gorjeia
D'alma exprimindo a cândida ternura,
O rio transparente, que murmura,
E por entre pedrinhas serpenteia:

O Sol, que o céu diáfano passeia,
A Lua, que lhe deve a formosura,
O sorriso da aurora alegre e pura,
A rosa, que entre os zéfiros ondeia;

A serena, amorosa Primavera,
O doce autor das glorias que consigo,
A deusa das paixões, e de Cítera:

Quanto digo, meu bem, quanto não digo,
Tudo em tua presença degenera,
Nada se pode comparar contigo.

(sim, porque nada se pode comparar contigo...)

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Soa Bem...

"Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas."

Sophia de Mello Breyner

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Suspiro Musical de Hoje:
"Se há alguém no ar
Responda se eu chamar
Alguém gritou meu nome
Ou eu quis escutar..."
Que se dane os Nós, de Ana Carolina

Absolutamente fantástica esta música...recomendo vivamente a quem sabe ouvir...

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Porque há clássicos que dizem tudo…

It still feels like our first night together
Feels like the first kiss
It's getting better baby
No one can better this
Still holding on
You're still the one
First time our eyes met
Same feeling I get
Only feels much stronger
I wanna love you longer
Do you still turn the fire on?

So if you're feeling lonely, don't
You're the only one I'll ever want
I only want to make it go
So if I love you a little more than I should ...

Please forgive me, I know not what I do
Please forgive me, I can't stop loving you
Don't deny me, this pain I'm going through
Please forgive me, if I need you like I do
Please believe me (Oh believe it), every word I say is true
Please forgive me, I can't stop loving you

Still feels like our best times are together
Feels like the first touch
Still getting closer baby
Can't get closer enough
Still holding on
You're still number one
I remember the smell of your skin
I remember everything
I remember all the moves
I remember you yeah
I remember the nights, you know I still do

(…) Please forgive me, I can't stop loving you..

Bryan Adams

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Deambulando

"(...)Comecei a desaparecer no dia em que os meus olhos se afundaram nos teus. Agora que os teus olhos se fecharam sei que não voltarás a devolver-me os meus.
(...)Ando à caça de palavras resplandecentes, tropeço nelas dentro e fora da vida, interpreto, magoo-me, interpreto outra vez, sujo-me, borro a pintura da cara que não tenho, das caras que fui desenhando sobre a cara que me faltou.(...)"
Fazes-me falta, de Inês Pedrosa

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Diálogo Irónico de Hoje:
"-Grandes 4taste!! Esgotaram o Campo Pequeno ontem!!!
-Fixe! Finalmente outros animais destronaram os touros..."

domingo, 4 de fevereiro de 2007

O Teu Sorriso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul,a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

Apelo

Porque
não vens agora, que te quero
E adias esta urgência?
Prometes-me o futuro e eu desespero
O futuro é o disfarce da impotência....

Hoje, aqui, já, neste momento,
Ou nunca mais.
A sombra do alento é o desalento
O desejo o limite dos mortais.

Miguel Torga

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Ser feliz por cativar...

"(...)E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou a sua ideia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! - disse ela.
- Bem quisera, disse o príncipe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.(...)"
Le Petit Prince, de Saint-Exupéry

Cativar é importante não há dúvida... Sentirmo-nos cativados é uma motivação extra para enfrentar o mundo lá fora...


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Suspiros Irónicos do dia:
"-O Metro vai chegar ao Aeroporto da Portela!! ehehe!!!
-Mas espera lá... o Aeroporto não vai mudar para a OTA?
-Sim vai...
-Então o que se faz com os túneis depois?..
-Sei lá.. Tapa-se com cimento..
-Ou então serve para dar abrigo a refugiados..."